16 de julho de 2008

Este é o primeiro poema do qual eu me lembro de ter gostado.




Se eu pudesse trincar a terra toda
E sentir-lhe um paladar,
Seria mais feliz um momento...
Mas eu nem sempre quero ser feliz.
É preciso ser de vez em quando infeliz
Para se poder ser natural...
Nem tudo é dias de sol,
E a chuva, quando falta muito, pede-se.
Por isso tomo a infelicidade com a felicidade
Naturalmente, como quem não estranha
Que haja montanhas e planícies
E que haja rochedos e erva...
O que é preciso é ser-se natural e calmo
Na felicidade ou na infelicidade,
Sentir como quem olha,
Pensar como quem anda,
E quando se vai morrer, lembrar-se de que o dia morre,
E que o poente é belo e é bela a noite que fica...
Assim é e assim seja...

Alberto Caeiro
* Fiquei a pensar no que me disseste ontem: " O próprio drama faz-me sentir vivo". Por isso, hoje, este poema é para ti.

1 comentário:

busycat disse...

Já tinha lido este poema algures, ah tempo indeterminado mas por reler aqui ainda gosto mais.

beijo
meu